exemplo de vida | Aline Martarello

A partir de hoje, o Além do Cabelo vai contar histórias de pessoas que se curaram do câncer. O  objetivo é mostrar, com o bom humor de sempre, que os momentos difíceis passam – mesmo que demorem! – e que a vida depois é muito mais saborosa!!! Vamos à primeira história!

ALINE MARTARELLO | Leucemia Mielóide Aguda/ M3

Assim que fiz 18 anos, comecei a ter muitas alergias pelo corpo. Como se fossem picadas de pernilongo… pelo corpo inteiro. Fui a diversos médicos e me disseram varias coisas… Um falava que era alergia de pó, outro de animais… e com isso se passaram quase uns 6 meses.. Dentro desse período, toda hora ficava doente. Já eram sinais de que minha imunidade estava baixa e meu corpo estava gritando por ajuda! Era um dia conjuntivite, no outro virose intestinal, no outro gripe… Havia feito uma bateria de exames e quando peguei os resultados, vi que tinha algo errado: os valores estavam muito diferentes dos valores de referência! Mostrei pro meu pai, e tentamos agendar uma consulta com algum médico pra aquele dia.

Na sala de espera do médico, já comecei a me sentir mal… com uma dor de garganta muito forte, mas achei que fosse por causa do ar condicionado do local. O médico viu os meus exames e notei que ele ficou assustado, mas não queria me deixar em pânico. Pediu apenas que eu voltasse no dia seguinte, às seis horas da manhã, para fazer uma bateria de exames.

No dia seguinte, acordei muito mal! Muita dor de garganta, febre.. nem consegui ir à consulta! A dor foi piorando e fui para o pronto socorro… Lá eles me examinaram e pediram minha internação imediata. Minha mãe levou os exames que eu havia feito, e o médico plantonista solicitou a visita de um hematologista com urgência. Eu estava com muita febre. Não conseguiram ministrar remédios em minhas veias, porque elas estouravam…

Desesperados com a situação, sem saber o que estava acontecendo, meus pais perguntaram o que poderia ser. E o médico foi direto: HIV, Linfoma ou Leucemia. Afastando a suspeita do HIV, a hematologista veio coletar o Mielograma – a pior dor que já senti na minha vida!!! Estava muito debilitada, a febre não baixava, e decidiram me transferir para a UTI. Não me lembro de muita coisa. Só no dia seguinte meus pais puderam entrar pra me visitar. Eu pedi, do fundo do meu coração, pra que meu pai me deixasse morrer! Estava sofrendo demais, sentia dor no corpo inteiro…No momento em que falei isso, ele saiu chorando da ala da UTI e foi conversar com o plantonista. O médico confirmou o diagnóstico: eu estava com leucemia. E já estava em estágio bem avançado, não havia nada que poderia ser feito. Meu pai desesperado perguntou qual era a chance de cura… o médico respondeu que era de menos de 1%.

Era isso que meu pai precisava ouvir. Ele foi atrás de informações, pesquisou, falou com amigos, e chegou até os meus médicos. Em pouco tempo a ambulância de outro hospital chegou pra me buscar, fui transferida em uma UTI móvel. Cheguei e o médico solicitou que fosse feito o Mielograma novamente. Depois de constatado o tipo da minha leucemia – LMA/M3, iniciamos o tratamento. 

Não foi fácil!

Quando minha irmã foi me contar o que eu tinha, a única pergunta que eu fiz foi: Meu cabelo vai cair? Eu tinha 18 anos, estava tirando a habilitação, sonhando como seria quando tivesse meu primeiro carro, festa de formatura, etc. Tudo isso foi adiado. Fiquei por quase 7 meses no hospital. O Cabelo caiu. Existiam grandes possibilidades de que eu não pudesse engravidar no futuro, que a doença voltasse… Durante anos a vida foi um dia por vez.

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Aline carecona, com seu pai Elzio e com sua irmã Thaís.

O tempo foi passando… sai do hospital. Tomava remédios todos os dias. Meu cabelo foi crescendo… Fazia o mielograma a cada três meses, depois a cada seis meses, até que passou a ser uma vez ao ano. Entrei na faculdade. Meu cabelo já estava quase no ombro, logo comecei a trabalhar. E minha vida foi voltando a tomar forma.

Aline com sua irmã Thaís, seu pai Elzio e seu irmão Bruno, em 2004 (um ano depois do diagnóstico)

Aline com sua irmã Thaís, seu pai Elzio e seu irmão Bruno, em 2004 (um ano depois do diagnóstico)

Cinco anos depois do diagnóstico, engravidei! Sem querer, sem planejar: aconteceu! Minha família ficou em festa, como se meu filho fosse a recompensa de tudo que passamos juntos! Um presente pra mim e pra todos que sofreram comigo, a certeza de que as coisas mudaram.

Aline, o barrigão da alegria e o futuro vovô!

Aline, o barrigão da alegria e o futuro vovô!

Tive alta total no ano retrasado. Vida normal… que na verdade nunca será normal. Eu não me lembro dessa historia com dor ou tristeza; lembro com orgulho, e com a certeza de que nunca sabemos o quão fortes somos… até que a nossa única opção é sermos fortes!”

Aline e seu filho Guile!

Aline e seu filho Guile!

Recebi esse e-mail da Aline em agosto. Mês passado fez DEZ ANOS que essa história aconteceu e, para comemorar, Aline tatuou “I believe in miracles!”. Além de ser uma queridona, ela é mais uma daqueles casos de pessoas que tinham 1% de chance de cura… e se curaram!!! Cada vez mais acredito que esses casos não são tão raros, só são pouco divulgados!

Foto: reprodução Facebook da Aline

Foto: reprodução Facebook da Aline

ADC EV aline martarello

Gostaram da história da Aline? Se você conhece alguém que tenha vencido o câncer e seja um exemplo de vida como ela, mande para alemdocabelo@gmail.com. Vamos ajudar a divulgar essas histórias e trazer esperança a quem precisa!

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. Quer mandar uma dúvida ou sugestão? Escreva para alemdocabelo@gmail.com, vou adorar responder!

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Fonte das Imagens: Facebook e arquivo pessoal de Aline Martarello

 

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14 Respostas para “exemplo de vida | Aline Martarello

  1. Conheci a Aline e a família dela ainda muito novinha e tenho um carinho muito especial por todos.
    Tive a oportunidade de acompanhar de perto esse momento difícil da vida dela e hoje acredito que tudo isso tenha sido um grande aprendizado para todos.
    O que mais me marcou foi a luta, dela e da família. O interessante é como um episódio complicado como este pode fazer com que surja uma força e uma união tão grandes.
    Os pais dela são verdadeiros guerreiros e não mediram esforços para buscar a cura de sua filha. Uma família e tanto! Eles passaram por momentos bem difíceis, mas nunca perderam a fé e a crença de que ela seria curada, pelo contrário, a cada obstáculo eles se fortaleciam mais.
    A mensagem que eu gostaria de deixar aqui é: tenham fé, se apeguem a toda e qualquer possibilidade de cura por menor que seja, se cerquem de pessoas que lhe amam e que lhe querem bem, acredito do fundo do meu coração que foi isso que salvou a Aline.
    Linão, você é demais, seu pimpolho é lindo e sua vida é um exemplo a ser seguido.
    Que Deus te abençoe ainda mais, hoje e sempre.
    Conte comigo e com a minha família, nós te amamos!
    Um grande abraço à todos.

  2. Adorei a iniciativa, e é muito bom tbm fazer parte da turma que contraria as estatísticas.
    No mês passado fui a um hemato aqui em Araçatuba SP, e após ler o meu relatório que trouxe de Portugal (eu morava lá) ela disse que eu era um milagre em pessoa, com todas as complicações que tive é o estágio em que a LMA/M4 estava.
    Beijinhos Flávia e parabéns pela vitória Aline

  3. É sempre mto bom ouvir histórias de vitória sobre o câncer. Perdi minha mãe, eu na época com 16 anos e ela com 39. Hoje estou na mesma luta, mas com esperança na vitória!!! Abraços!!!

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